linda

(Fonte: octopusuck)

9:03

em Diadema

3:31

"Fui me confessar ao mar. O que ele disse? Nada."

Lygia Fagundes Telles (em Praia Grande, Sao Paulo, Brazil)

11:02

meu argumento é pobre mas a missão é nobre

7:56

2:38

❝ (…) Subitamente, Franz teve a impressão de que a Grande Marcha chegava ao fim. As fronteiras do silêncio se fechavam sobre a Europa, e o espaço onde acontecia a Grande Marcha era apenas um pequeno palco no centro do planeta. As multidões que se aglomeravam antigamente à beira do palco tinham virado a cabeça havia muito tempo, e a Grande Marcha prosseguia na solidão e sem espectadores. É, pensava Franz, a Grande Marcha continua, apesar da indiferença do mundo, mas está se tornando nervosa, febril, ontem contra a ocupação americana no Vietnã, hoje contra a ocupação vietnamita no Camboja, ontem a favor de Israel, hoje a favor dos palestinos, ontem a favor de Cuba, amanhã contra Cuba, e sempre contra a América, às vezes contra os massacres e outras vezes para defender outros massacres, a Europa desfila e para poder seguir o ritmo dos acontecimentos sem perder nenhum deles, seu passo se acelera casa vez mais, de tal maneira que a Grande Marcha se torna um desfile de pessoas apressadas, que correm desenfreadas, e o cenário vai encolhendo cada vez mais, até que um dia será apenas um ponto sem dimensões.

— A insustentável Leveza do Ser - Milan Kundera

12:10

O jovem Torless, Musil

8:53

❝ (…) Beineberg resmungou qualquer coisa sobre exercitar-se, preparar o espírito… ainda não estar pronto para começar algo… deixar para mais tarde…
- Preparar? Exercitar-se? Pra quê? Você sabe de algo determinado? Talvez espere algo, mas também não tem nenhuma certeza do que seja. A coisa é assim. Uma eterna espera de algo do qual nada sabemos senão isto: que estamos à sua espera… É tão aborrecido…
- Aborrecido… - repetiu Beineberg devagar, balançando a cabeça.
Törless ainda contemplava o jardim. Pensou ouvir o farfalhar das folhas murchas que o vento acumulava varrendo o chão. Depois chegou o momento de silêncio intenso que antecede a escuridão total. As formas, cada vez mais acolchoadas em meio às trevas, e as cores manchadas pareceram deter-se por um segundo, prendendo a respiração…
- Escute, Beineberg - disse Törless sem virar-se -, durante o anoitecer há momentos singulares. Sempre que observo, me vem a mesma lembrança. Eu era ainda muito pequeno, quando um dia brincava na floresta a essa hora. A criada tinha se afastado; eu não sabia, pensava que ela ainda estivesse perto de mim. De repente, algo me forçou a erguer os olhos. Senti que me achava só. Tudo estava quieto. E quando olhei em volta, foi como se as árvores estivessem dispostas num círculo silencioso, me encarando. Comecei a chorar; sentia-me completamente abandonado, entregue àquelas grandes criaturas imóveis… O que será isso? Sinto-o muitas vezes. Esse silêncio repentino, como uma linguagem inaudível…
- Não sei do que você está falando; mas por que as coisas não teriam sua linguagem? Afinal, não podemos afirmar com certeza que elas não tenham alma!
Törless não respondeu. A especulação conceitual de Beineberg não lhe agradava.
Depois de algum tempo o outro começou:
- Por que você fica sempre olhando pela janela? O que está vendo?
- Ainda estou pensando; o que poderia ser? - Na verdade, porém, ele já pensava em outra coisa, apenas não queria admitir. A tensão, à espreita de um mistério grave, e a responsabilidade de lançar o olhar sobre relações da vida ainda não sabidas! Só pudera suportar isso por um momento. Depois dominara-o novamente a sensação de solidão e abandono que sempre se seguia a esse esforço excessivo. Ele pressentia: existe algo aí ainda muito difícil para mim; e seus pensamentos refugiavam-se em outra coisa, contida naquela sensação, e que de certa forma permanecia à espreita, ao fundo: a solidão.
Uma ou outra folha vinha do jardim deserto e, dançando, batia na janela, traçando um risco claro na escuridão. Esta parecia recuar, encolher-se e, no momento seguinte avançar outra vez postando-se diante da janela como uma parede hirta. Essa treva era um mundo à parte. Descera sobre a terra como uma horda de seres negros, derrubando ou escorraçando as pessoas, ou, de alguma forma, anulando qualquer rastro delas.
E Törless ficava contente com isso. Nesses momentos não apreciava os seres humanos, os que eram adultos. Jamais gostava deles quando escurecia. Habituara-se a cancelar as pessoas nessas horas. O mundo então lhe parecia uma casa desabitada e sombria, um calafrio atravessava seu peito, como se agora precisasse procurar de sala em sala - aposentos escuros, nunca se sabia o que se ocultava nos cantos -, passar pelos umbrais, tateando, nenhum pé jamais pisaria ali senão o dele, até… chegar a um quarto cujas portas se abriam e fechavam sozinhas depois que ele houvesse passado. E depararia com a senhora daquelas hordas negras. E nesse instante todas as portas pelas quais passara fechariam também, e longe, diante dos muros, ficariam postadas as sombras da noite como eunucos vigilantes, mantendo as pessoas afastadas.
Era assim a sua solidão, desde aquele dia em que ele fora abandonado - na floresta, onde chorara tanto. Para ele a solidão tinha encantos de mulher e a face de coisa desnuda. Sentia-a como uma mulher, mas seu hálito oprimia-lhe o peito, seu rosto levava à vertigem de esquecer todos os rostos humanos, e os gestos de suas mãos eram arrepios sobre o corpo dele…
Ele receava essas fantasias, pois tinha consciência de seu secreto prazer pervertido, e inquietava-o a ideia de que essas imaginações o dominariam cada vez mais. Mas exatamente quando pensava atingir o estado de maior gravidade e pureza, elas o avassalavam. Podia-se dizer que eram uma reação aos momentos em que esse adolescente adivinha emoções que já se preparavam, mas para as quais ele ainda era muito jovem. Pois na evolução de toda força moral mais refinada existe esse ponto prematuro, em que ela enfraquece a própria alma cuja mais audaciosa experiência ocorrerá no futuro, como se suas raízes tivessem de mergulhar fundo primeiro, e revolver o solo que mais tarde elas sustentarão; esse é o motivo pelo qual jovens com grande futuro geralmente têm um passado rico em humilhações.
A predileção de Törless por certos estados da alma era a primeira indicação de uma característica espiritual que mais tarde se manifestaria como um forte sentimento de admiração. No futuro ele seria praticamente dominado por essa capacidade tão peculiar. Seria forçado a perceber muitas vezes fatos, pessoas e até a si mesmo como se neles houvesse simultaneamente um enigma insolúvel e uma inexplicável coerência. Tudo lhe parecia palpável, e ainda assim impossível de jamais se resolver em pensamentos ou palavras. Entre os fatos externos e o seu eu, sim, entre suas próprias emoções e o seu eu mais remoto, que ansiava por entendê-las, haveria sempre uma linha divisória que, como um horizonte, recuava ante o seu anseio. Quanto mais minuciosamente tentasse revestir as emoções com ideias, quanto mais as conhecia, mais estranhas e incompreensíveis lhe pareciam, de modo que já nem era como se recuassem diante dele, mas ele próprio se afastava, sem contudo livrar-se da impressão de que se aproximava delas.
Mais tarde, esse estranho e difícil paradoxo ocuparia uma longa fase da sua evolução espiritual, como se quisesse dilacerar sua alma, e por muito tempo ameaçou-a como seu problema máximo.
No momento, porém, a gravidade dessas lutas anunciava-se apenas num súbito, frequente cansaço, assustando Törless de longe, sempre que algum estado de alma mais peculiar - como há pouco -lhe trazia um pressentimento de tudo isso. Sentia-se então impotente como um prisioneiro, um ser abandonado, apartado de si e de todos os demais; tinha desejo de gritar, tamanho era o vazio e o desespero; em vez disso, afastava-se dessa criatura grave e expectante, torturada e exausta em seu interior, e - ainda assustado por essa renúncia súbita -, deliciando-se com seu hálito quente e pecaminoso, ficava à escuta das sussurrantes vozes da solidão.

O Jovem Törless - Robert Musil

1:08

Nuestro dulce amor

3:17

A casa é sua, seu lindo! (em São Bernardo Plaza Shopping (Oficial))

11:46

- (…) Será que o caminho é tão difícil para todos?
Sua mão resvalou por cima de meus cabelos tão suave como a brisa.
- Sempre é difícil nascer. A ave tem de sofrer para sair do ovo, isso você já sabe. Mas volte o olhar para trás e pergunte a si mesmo se foi de tão penoso o caminho. Difícil, apenas? Não terá sido belo também? Podia imaginar outro tão belo e tão fácil?
Movi, dubitativo, a cabeça.
- Foi penoso - disse como adormecido -, foi penoso até que veio o sonho.
Assentiu e fitou-me penetrantemente.
- Sim, temos que encontrar nosso sonho e então o caminho se torna fácil. Mas não há nenhum sonho perdurável. Uns substituem os outros e não devemos esforçar-nos por nos prender a nenhum.

Demian, Herman Hesse

8:59

bom dia

2:30

"Mais uma vez Tereza foi tomada por uma absurda esperança."

9:52

Brazil quiet down, we need to make a sound (em Mauá)

3:00

(Fonte: sophiehayes)

11:31

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